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Retirada dos vagões completa cinco anos

Retirada dos vagões completa cinco anos

Há cinco anos chegava ao fim um dos capítulos mais longos da história recente de Iperó, com a retirada dos mais de 320 vagões abandonados no pátio ferroviário localizado entre a região central e os bairros Vila Santo Antonio e Novo Horizonte. Era um dos maiores cemitérios de trens abandonados do país. Em 5 de setembro de 2013, amparado por uma decisão da Justiça de Boituva, e em meio a uma guerra judicial travada entre a Prefeitura de Iperó e a ALL (então concessionária da ferrovia), o prefeito de Iperó iniciou a retirada dos vagões. Muitos começaram a ser estacionados na área ainda no fim da década de 1970.

A ação da Prefeitura atendeu à reivindicação dos moradores que até hoje atravessam a área para ir ao centro da cidade. Além das questões relacionadas à segurança, a presença dos vagões contribuía para o surgimento e a proliferação de animais nocivos à saúde e causava danos ao meio ambiente devido aos vazamentos de restos de produtos químicos.

Irani Correa da Silva, moradora da Vila Santo Antonio há cerca de 10 anos, conheceu de perto o cemitério de vagões. “A gente tinha medo que acontecesse algo durante a travessia pelo pátio. O local era escuro. Eu não passava sozinha por aqui e meu esposo sempre vinha comigo. Fora a questão da segurança, também havia a preocupação com possíveis doenças que aqueles trens abandonados poderiam nos transmitir, por causa da sujeira. Não gosto nem de lembrar. Quando retiraram os vagões foi um alívio para todos nós. Hoje o espaço está melhor e a gente espera que continuem cuidando e cobrando os responsáveis para manter a limpeza do pátio. Assim como a estação, que possa ser utilizada em breve. Graças a Deus os vagões foram retirados e isso contribuiu bastante para o nosso bairro também”, disse.

Maria do Carmo Dionísio, moradora há mais de 20 anos no Novo Horizonte, também conviveu com o cenário de vagões abandonados e lembra sobre as dificuldades da época. “Era muito difícil para nós. Eu cuidava dos meus netos e precisava atravessar com eles em meio àquela imensidão de trens e pular os vagões. Nem sei quantas vezes precisei pular vagões durante todos aqueles anos. Perdi as contas. Foi uma benção quando vi retirar os vagões e agradeci a Deus. Comemorei bastante junto com todos os moradores. Melhorou bastante essa área no entorno da estação e do pátio ferroviário. Até hoje continuo fazendo esse caminho entre a minha casa e o centro”, comentou.

Cinco anos depois, o prefeito fala sobre o episódio e destaca a importância de o município ter tomado medidas drásticas para acabar de vez com o cemitério de trens. “Desde a época em que eu era vice-prefeito e secretário de Governo tentamos inúmeras vezes, junto à ALL, a remoção dos vagões. E não tivemos qualquer avanço. Então, quando iniciei o primeiro mandato como prefeito, em 2013, mudamos as estratégias e apertamos o cerco. Era inadmissível continuar convivendo com aquelas centenas de vagões que estavam se amontoando há mais de 35 anos e todos os problemas que traziam. Foi assim também, no ano passado, que conseguimos a retirada dos vagões que há anos estavam abandonados nas proximidades da estação de George Oetterer”, lembrou.

Após a retirada dos vagões, a Prefeitura finalizou as obras na estação e instalou uma unidade avançada da Guarda Civil Municipal (GCM) na antiga cabine. Atualmente estão em andamento as tratativas para a ocupação definitiva do prédio e recentemente o prefeito esteve em Brasília, onde se reuniu com representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para tratar sobre a regularização da passagem de nível sobre o pátio, que liga a Vila Santo Antonio e o Novo Horizonte ao centro da cidade.

“A extinção do cemitério de vagões permitiu essas melhorias, tanto as já realizadas como é o caso da estação, quanto aquelas em andamento como é o caso da passagem de nível. Conseguimos reverter aquela situação anterior que trazia muitos transtornos à população. E seguimos empenhados para dar uma funcionalidade digna à estação ferroviária e à área da antiga oficina de soldagem de trilhos, em respeito à memória dos ferroviários que se dedicaram à cidade e respeito também ao nosso patrimônio. Da mesma forma, temos acompanhado de perto a questão da manutenção e limpeza do pátio, que são serviços de responsabilidade da empresa Rumo, atual concessionária da ferrovia. O fim do cemitério de vagões foi uma vitória de todos os iperoenses”, finalizou o prefeito.